
O
lulopetralhismo vem dando sucessivos sinais de qual será o tom da sua campanha e não poderia ser outro: a comparação do Brasil de Lula com o Brasil de FHC. Alguma novidade? Nenhuma. Esta foi exatamente a estratégia da reeleição em 2006. Nem os temas mudarão em 2010. FHC privatizando a Petrobras e Lula mergulhando no fundo do mar e descobrindo o Pré-Sal. FHC quebrando o Brasil e Lula surfando a marolinha e vencendo uma crise financeira internacional muito maior. FHC devendo os tubos para o FMI e Lula emprestando dinheiro ao organismo. O
lulopetralhismo tem munição para fazer, em termos de marketing, uma campanha consagradora e vitoriosa, mesmo que a candidata de Lula seja feia, antipática, mal-educada, sem carisma, prepotente, avessa à verdade e tenha um passado nada recomendável como guerrilheira, terrorista e participante de grupos que assaltaram e assassinaram inocentes a sangue frio. Nada é mais compreensível para o eleitor do que um
"antes x depois" e, por isso, o esforço tremendo de Lula para buscar a polarização, para que Ciro Gomes saia do páreo e para que Marina Silva não cresça ao ponto de que novas propostas venham a desviar o foco do eleitor.

Ontem, na Bahia, Dilma Rousseff, novamente, deu o tom da campanha:
"O confronto (de 2010) será entre os projetos que o Brasil teve realizado nos últimos anos. É só ver o que aconteceu de 2003 [começo do governo Lula] para cá e o que aconteceu antes". E apressou-se em dizer:
"(Marina Silva) não é uma pessoa que represente o projeto do governo do presidente Lula". O
lulopetralhismo vai dirigir o olhar do eleitor para o passado, na busca de uma comparação que lhe seja - e que efetivamente é - positiva e favorável, tendo em vista uma série de aspectos conjunturais que beneficiaram grande parte da Era Lula. Ato contínuo, vai indicar que o futuro é a continuidade, é a
"doutora" Dilma com o seu PAC, o Pré-Sal, a CSS e outras medidas de longo prazo. E para encerrar, vai escalar os seus pitbulls, colocar o PCC na rua, botar sindicatos a fazerem greves em São Paulo, organizar invasões do MST, promover quebra-quebras no metrô e turbinar a quadrilha encarregada de plantar dossiês, espalhar boatos na blogosfera, fazer aquele conhecido trabalho de desqualificação do
"oponente".
José Dirceu ensina na Veja desta semana como o
lulopetralhismo faz política. É ele quem está turbinando a candidatura de Lindbergh Farias, do PT do Rio, com um único objetivo: pressionar e consolidar o apoio do governador Sérgio Cabral(PMDB), com ou sem os
royalties do Pré-Sal. Eles se chamam de
"companheiros", o que não quer dizer que tenham abandonado a prática, agora simbólica, do
"justiçamento", tão praticado nos aparelhos da guerrilha. Na eventualidade, não vão pensar duas vezes para
"justiçar" politicamente qualquer um que atrapalhe os planos. E qual deve ser a proposta da oposição frente a este quadro tão desfavorável, enfrentando um presidente com mais de 80% de popularidade? Só há uma saída. Inserir o Brasil no mundo e mostrar o quanto perdemos de oportunidades nos últimos 8 anos. Mostrar o que ocorreu na China, na Índia, na Rússia, no Leste Europeu, nos demais emergentes. Mostrar as estradas de lá. Mostrar as universidades de lá. Mostrar os números de lá. Mostrar o que de pouco foi feito no Brasil em Saúde, Segurança, Habitação, Infra-Estrutura e o que foi feito em outros países. Mostrar jovens que tinham 16 anos em 2003 e que em 2009 continuam sem emprego e sem futuro. Mostrar jovens que tinham 16 anos em 2003 e que em 2009 estão cumprindo pena na prisão. Mostrar jovens que tinham 16 anos em 2003 e que hoje choram a morte dos seus filhos ou esposas porque não receberam Tamiflu nos postos de saúde. Mostrar uma geração perdida nos últimos 8 anos. Mostrar pessoas, não números. Mostrar dramas, não estatísticas. Mostrar fotografias e cenas, não gráficos. Mostrar uma geração
"que não quer só comida", que quer oportunidades, que quer futuro. E aí sim, mostrar o futuro que pretendem construir para o país, através de um plano de governo que seja realmente inovador, com investimento em empreendedorismo, em educação, em tecnologia, em preservação do meio ambiente, em distribuição da riqueza.
O lulopetralhismo vai propor uma volta ao passado. Só há um jeito de escapar desta armadilha. É botar o Brasil de volta para o futuro. Serão capazes ou vestirão novamente o colete do Banco do Brasil?