Neste momento, não é a mensagem dos candidatos que está fazendo diferença na campanha presidencial. Com toda a certeza, não houve tempo para que o eleitor fizesse este julgamento. O que está fazendo diferença é a mídia desigual entre as duas candidaturas. Transformando Dilma em sabonete e Serra em sabão, o que está determinando o crescimento de vendas do Palmolive Dilma é a estratégia de mídia, executada dentro do manual básico da área pela campanha petista. E que foi rasgado em pedaços pela campanha tucana ao traçar a estratégia para o Sabão Serra. Em uma campanha eleitoral, os tucanos já deveriam ter aprendido que o plano mais importante não é o de governo. É o plano de mídia.
A exposição do Palmolive Dilma na TV, que já era muito maior antes da campanha, comprada pela máquina pública(midia de estatais, blogueiros, eventos presidenciais, etc.), passou a ser mais do que o dobro do sabão Serra, nestes primeiros dias. O Palmolive do PT, com embalagem redesenhada e agora com um novo aroma de suor do Lula, tem 40% a mais de tempo no programa. Isto é irrelevante, pois um programa bem feito supera esta diferença de tempo. No entanto, a candidata Palmolive também tem 40% a mais em comerciais veiculados nas diversas faixas horárias, em intervalos de programas de altíssima audiência, que escapam do controle remoto do horário eleitoral. Por exemplo: se o Sabão Serra aparece 5 vezes por semana em comerciais de 30 segundos no Jornal Nacional, o Palmolive Dilma aparece em 8 inserções. Como vamos ver mais adiante, isto faz uma diferença brutal e este é o primeiro ponto que explica o crescimento do sabonete do Lula.
O Palmolive Dilma, com o seu aroma refrescante de Lula, tem outro diferencial arrasador. Os revendedores estaduais estão fazendo de tudo para exibir o novo produto nos seus espaços de mídia. Enquanto o Sabão Serra some do vídeo nas segundas, quartas e sextas, pois a sua rede de revendedores infiéis e traidores não promove o seu nome, lá está o Palmolive Dilma sendo cantado em verso e prosa para o consumidor por uma rede muito maior e muito mais interessada em vender o novo produto. Ou seja: além dos 40% a mais de comerciais nacionais, o Palmolive Dilma ainda tem uma mídia regional fortíssima, repetida todos os dias. Este é o segundo ponto que explica o crescimento de Dilma.
Somando as mídias, seguramente, sem medo de errar, a exposição do Palmolive Dilma está sendo três vezes maior do que a do Sabão Serra. Tem mais exposição no horário nacional e o sabonete do Lula ainda está sozinho nos horários regionais. É daí que vem a vantagem apresentada pelas últimas pesquisas. Observem aí, nos seus estados, o quanto a marca Dilma está aparecendo a mais na mídia eleitoral. Observem especialmente os grandes atacadistas tucanos do Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Ceará e Amazonas. Eles escondem o produto Serra.
Tecnicamente, para vender sabonete ou sabão, os especialistas em mídia utilizam algumas medidas. Uma delas é o GRP (Gross Rating Point) e vamos ficar apenas com ela. O GRP indica o "tamanho" do esforço de comunicação de uma campanha. Para calcular, você pega o número de inserções e multiplica pela audiência do programa em que elas foram veiculadas. Com 8 inserções no Jornal Nacional e 40 pontos de audiência, a campanha do Palmolive Dilma tem 320 GRP. Com 5 inserções no Jornal Nacional e 40 pontos de audiência, a campanha do Sabão Serra alcança 200 GRP. Assim, a campanha do Palmolive Dilma está fazendo um "esforço" maior e isto se reflete em uma melhor freqüência média, que é o número de vezes em que a sua mensagem é vista. Assim, é perfeitamente natural que exista esta subida nas pesquisas que, com o correr dos próximos dias, chegará a um ponto de saturação, obviamente se a diferença não continuar sendo tão brutal quanto agora. E que a mensagem do Sabão Serra seja tão ou mais eficiente que a mensagem do Palmolive Dilma, agora com gotinhas de suor de Lula.
A infantilização da campanha, tão citada nos últimos dias, cai como uma luva para explicarmos os efeitos desta enxurrada de mídia a maior do Palmolive Dilma. Quem tem criança em casa ou quem já teve sabe muito bem quais os efeitos de uma campanha promocional bem feita em cima delas. Elas querem consumir o produto, correm para ele nos supermercados, pedem pela marca. Com mais de 50% de eleitores brasileiros com idade mental de 5 anos de idade, escolher uma marca porque ela tem maior visibilidade e repetição é consequência natural.
A luta é levar a decisão para o segundo turno, pois lá os tempos ficam mais equilibrados entre o Palmolive Lula e o Sabão Serra. Pelo menos no plano nacional, já que regionalmente, onde houver segundo turno, a tendência é que os revendedores do Palmolive Dilma continuem mais agressivos que os distribuidores traidores e infiéis do Sabão Serra.
O Coronel pede desculpas por fazer uma avaliação mais profunda e mais longa do que estas que vocês lêem na imprensa incompetente e despreparada para este tipo de análise. Sorry, isto você só encontra no Coturno Noturno.