sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Operação Lava Jato: procuradores do MPF prevêem muitas prisões de políticos e até fechamento de partidos.

O presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, Alexandre Camanho de Assis (foto), afirmou nesta sexta-feira (28), durante evento em Maceió (AL), acreditar que a operação Lava Jato deve ter efeito similar à operação Mãos Limpas, na década de 90 na Itália, que resultou em prisões, condenações, extinção de partidos e redução de preços de obras públicas.

"Se Deus quiser, a Lava Jato terá um efeito aqui parecido com a operação Mãos Limpas da Itália. Se as coisas correrem bem, pode ocorrer algo aqui igual, ou seja, partidos políticos fechados, com prisões e condenações. Temos a perspectiva de que isso ocorra", disse Assis, que participou do 12º Congresso Nacional do Ministério Público de Contas.

Nos anos 90, a operação Mãos Limpas investigou mais de 5.000 pessoas envolvidas em casos de corrupção na Itália. Um dos punidos no escândalo foi o líder do PSI (Partido Socialista Italiano) e ex-primeiro-ministro Bettino Craxi. Alguns suspeitos chegaram a cometer suicídio, como o presidente da estatal do petróleo ENI, Gabriele Cagliari; e o empresário Raul Gardini. Estudos apontam que, após a operação, o valor médio das obras públicas caiu. Partidos também fecharam as portas após o escândalo. 

Para o presidente da associação de procuradores, o Brasil caminha nessa direção ao registrar avanços significativos no combate ao crime de colarinho branco nos últimos anos. "Nesta última década, a legislação tornou o combate à corrupção uma coisa mais fácil e com aparelhamento muito maior, prova disso é a operação Lava Jato", afirmou. 

Assis ainda fez uma defesa de uma força maior aos ministérios públicos do país, que deveriam ser um "novo poder constituído." "Faço aqui um exercício de futuro. Seria o quarto poder no país um poder fiscal? No combate à corrupção, como em tantas outras coisas, pressupõe a necessária instrumentalização para combater o mal, o câncer público, e que se preserve o Estado funcionando bem com a estrutura de cidadania", disse. 

O procurador fez uma comparação da legislação de outros países e disse que não haverá avanços sociais plenos sem combate forte à corrupção. "Não há país no mundo que tenha conseguido melhora suas prestações com a sociedade que não tenha acordado para o fato de que é preciso fiscalizar a aplicação do dinheiro, se administração está se desempenhado bem. Essa tarefa se tornou algo básico nas democracias contemporâneas. Para isso, é preciso ter um MP à altura dessa imensa responsabilidade." 

Ainda durante os debates, o procurador da República Rodrigo Tenório ainda criticou o argumento que alguns advogados das empresas acusadas na Lava Jato usaram para o caso. "É risível que eles aleguem que foram extorquidos. Quer dizer que o sujeito é extorquido para ficar milionário? Não tem qualquer fundamento", disse.

Efeito didático do mensalão

O avanço do combate à corrupção no Brasil também foi levantado pelo procurador da República José Alfredo de Paula Silva --um dos atuaram no processo do Mensalão. Ele defendeu a tese de "efeito didático" da condenação dos acusados no escândalo durante o primeiro mandato do governo Lula. 

"O Alberto Yousseff e o Paulo Roberto Costa eram operadores de um esquema. E eles só abriram a boca porque viram o que aconteceu Marcos Valério. Ele está preso! E não teve reforma de presídio para ele, que está comendo o pão que o diabo amassou, como todos os outros presos", afirmou.

O procurador afirmou ainda como acredita funcionar a mente dos corruptos. "Nos crimes de colarinho branco, o raciocínio é bem simples: o pretenso criminoso faz uma relação de custo/benefício para ver se vale a pena delinquir. A impunidade entra como um estímulo. O mensalão quebra esse paradigma, já que a ação tem começo, meio e fim, o que não ocorria nesse país --nem para uma condenação, nem para uma absolvição", disse.(UOL)

Corruptos, tremei! Pastas com provas e mais provas sobre a roubalheira na Petrobras voando da Suiça para o Brasil.

“Várias pastas cheias” (de extratos bancários). É isso que três procuradores brasileiros estão levando para o Brasil nesta sexta-feira à noite, depois de três dias na Suíça analisando documentos das várias contas bancárias do diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, que escondeu pelo menos US$ 26 milhões no país europeu – dinheiro que obteve no esquema de corrupção de contratos da Petrobras. - Estes documentos vão nos permitir a chegar a vários outros envolvidos no esquema – disse um dos procuradores, Deltan Dallagnol. (foto)

Os procuradores vão manter o sigilo sobre o que viram nestes extratos até chegarem ao Brasil. As contas de Paulo Roberto Costa foram descobertas pela Suíça como parte de uma investigação de lavagem de dinheiro sujo no país. E são apenas a ponta do iceberg, explicaram os procuradores.

Por exigência dos suíços, os brasileiros tiveram que deixar no Ministério Público de Lausanne todas as anotações que fizeram sobre a investigação mais ampla da Suíça, e que vai muito além de Paulo Roberto Costa. Alegando sigilo total do caso, eles não quiseram dizer se o que os suíços descobriram até agora, aponta para o envolvimento de mais brasileiros ou de estrangeiros no esquema da Petrobras.

Dar acesso à investigação e liberar todos os documentos das várias contas que Costa mantinha na Suíça em diversos bancos foi um gesto extraordinário do Ministério Público suíço, disseram os procuradores. - Na verdade, a investigação é muito mais ampla do que Paulo Roberto Costa (isto é, que vai além da movimentação das contas bancárias de Costa) – disse Delton Dallagnol. 

Segundo os procuradores, ao investigarem toda a cadeia de pagamentos, os suíços tentam identificar todo mundo envolvido. Podem ser brasileiros ou estrangeiros. - Eles (os suíços) podem alcançar pessoas que a gente nem imaginava que existissem e que estão aqui também . A ideia é sobrepor o que as duas investigações (na Suíça e no Brasil) têm - explicou Delton 

A investigação na Suíça corre em paralelo com a investigação brasileira. E a ideia é cruzar os dados. - As investigações deles são muito boas, avançaram bastante e a cooperação é ampla. Não estão medindo esforços para investigar esse caso e adotar todas as providências cabíveis – afirmou o procurador Eduardo Pelella, que é chefe de gabinete do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot. 

Pelella já marcou sua volta à Suíça para janeiro. Os três procuradores – ele, Dallagnol e Orlando Martello – insistem que o sigilo precisa ser mantido, para não se fechar porta da colaboração com os suíços : - Não dá para fechar esse canal, senão mata a galinha de ovos e anos poupados de trabalho – afirmou Pelella. Perguntado sobre o que falta para o dinheiro de Costa voltar ao Brasil, o procurador explicou que agora é uma questão de procedimento da Suíça : - É questão procedimental, que diz respeito ao Ministério Publico suíço – afirmou. 

DELATOR AUTORIZOU DEVOLUÇÃO
Foi o próprio acusado de corrupção – isto é, o ex-diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa – quem pediu oficialmente a devolução e transferência para uma conta do governo brasileiro dos cerca de US$ 26 milhões que ele escondeu em contas bancárias na Suíça. Isso explica porque o Brasil deverá obter a repatriação da fortuna roubada em tempo recorde – semanas ou poucos meses, segundo uma fonte – passando por cima de várias etapas do procedimento normal na Suíça para devolução de dinheiro sujo.

Este foi o acordo negociado há meses entre Brasil e Suíça para acelerar a devolução do dinheiro. Pelo procedimento normal, Costa teria que ser julgado e condenado em última instância, explicou Pelella. Mas como ele mesmo assumiu o crime, o Brasil negociou uma saída mais rápida com os suíços. - Nesse caso, como ele (Costa) fez o acordo de delação premiada, passou os valores e as contas, e uma das cláusulas admite que pode-se repatriar esses valores, isso abrevia muito o tempo de tramitação—explicou Pelella. (O Globo)

Dilma e Mantega presenteiam país com PIB de 0,1% no trimestre e 0,2% no ano.

A economia brasileira cresceu 0,1% no terceiro trimestre, na comparação com os três meses anteriores, informou o IBGE nesta sexta-feira. A expectativa do mercado financeiro era de alta de 0,2%, segundo analistas ouvidos pela agência de notícias Bloomberg. Em relação ao terceiro trimestre de 2013, o Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país) cai 0,2%. Já no acumulado do ano, a alta é de 0,2%. Em valores correntes, o PIB foi de R$ 1,289 trilhão. 

É o primeiro resultado divulgado após o país ter entrado em recessão técnica, termo usado pelos economistas para definir dois trimestres seguidos de queda do PIB. Na ocasião, o IBGE informou que houve retração de 0,6% no segundo trimestre e ainda revisou para baixo o número do primeiro trimestre, de alta de 0,2% para queda de 0,2%, levando ao quadro de recessão. Havia expectativa de revisão destes dados nesta sexta-feira, mas o instituto não alterou os índices. O IBGE revisou apenas o resultado do terceiro trimestre de 2013, que havia sido queda de 0,6%, para recuo de 0,5%.

A indústria teve alta de 1,7% frente ao trimestre imediatamente anterior, a maior entre os setores que compõem o PIB. Em relação ao mesmo trimestre do ano passado, no entanto, houve queda de 1,5%. O consumo das famílias, outro segmento que entra no cálculo do Produto Interno Bruto, voltou a recuar e teve queda de 0,3% frente ao segundo trimestre. O IBGE revisou o consumo das famílias no segundo trimestre de alta de 0,3% para zero. 

O investimento teve alta de 1,3% na comparação com o segundo trimestre, mas em relação ao mesmo trimestre do ano anterior tem queda de 8,5%, influenciada pela queda da produção interna e da importação de bens de capital, além do desempenho negativo da construção civil, segundo o IBGE. 

A taxa de poupança ficou em 14% do PIB no terceiro trimestre, a mais baixa desde 2000, quando ficou em 14,4%. No terceiro trimestre de 2013, ela fora de 15,1%. Houve recuo também na taxa de investimento, que é a relação entre o investimento e o PIB. A taxa de investimento foi de 17,4% no terceiro trimestre de 2014, frente a 19% no terceiro trimestre de 2013. O setor de serviços avançou 0,5% frente ao trimestre anterior.

O anúncio dos dados ocorre um dia após o governo oficializar a nova equipe econômica, formada por Joaquim Levy, no Ministério da Fazenda, e Nelson Barbosa, na pasta do Planejamento. Em entrevista coletiva na tarde de quinta-feira, os novos ministros anunciaram a meta fiscal para os próximos três anos. Eles também disseram que vão trabalhar em prol do crescimento econômico, mas não revelaram detalhes das novas medidas.

Segundo a mais recente pesquisa Focus, divulgada semanalmente pelo Banco Central, a expectativa do mercado financeiro continuam fracas para o ano. A mediana das projeções para o crescimento de 2014 é de apenas 0,2%, menor que a estimativa indicada há um mês, de 0,27%. Já para o ano que vem, os economistas esperam desempenho menor, mas ainda modesto, de crescimento de 1,3%. (O Globo)

Oposição afirma que maior inimigo do novo ministro da Fazenda será o PT.

A oposição no Congresso demonstrou ceticismo em relação ao ajuste gradual anunciado nesta quinta-feira pelo futuro ministro da Fazenda Joaquim Levy. O sucessor do atual ministro Guido Mantega afirmou que o governo irá buscar uma meta de superávit primário de 1,2% do PIB no próximo ano e de "não menos que 2%" em 2016 e 2017. "O anúncio vai na direção certa, mas resta saber se o Levy combinou isso com o PT e a presidente Dilma Rousseff. O fato dela não estar à frente do anúncio dos novos nomes é estranho. Este é o nó da questão", disse o presidente nacional do DEM, senador José Agripino Maia (RN).

Candidato derrotado à presidência, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), presidente nacional do PSDB, se manifestou em uma nota dura contra Dilma, a quem acusou de mentir ao país durante a campanha eleitoral com seu "discurso recheado de bondades". Lembrou que Levy faz o anúncio de ajuste gradual no momento em que o governo tenta aprovar uma alteração das metas de superávit para este ano. "Afinal, qual é o verdadeiro rosto do novo governo Dilma Rousseff? Refém de tantas contradições, o governo corre o risco de não ter nenhum", diz Aécio na nota.

Os líderes da oposição reconheceram que a política anunciada por Levy, calcada na redução de gastos públicos, não é essencialmente diferente da defendida pelo PSDB durante a campanha presidencial. Mas realçaram a fragilidade política do futuro ministro. "Joaquim Levy irá andar no fio da navalha", afirmou o senador Aloysio Nunes Ferreira Filho (PSDB-SP), líder da bancada na Casa e candidato a vice na chapa de Aécio. "O maior inimigo do novo ministro será o próprio PT. Perto do que o PT fará com ele, a nossa oposição será suave", comentou o deputado Mendonça Filho (DEM-PE), líder do partido na Câmara.

Segundo Aloysio, " a própria Dilma disse no passado que uma meta plurianual de superávit primário era uma proposta rudimentar", em uma referência à proposta feita em 2005 pelo então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que institucionalizava a politica fiscal superavitária do governo. "O que temos por enquanto no Congresso é uma proposta para ser votada eliminando a menção ao superávit primário este ano, como forma de se escapar de sanções legais no futuro", disse o senador. Na próxima semana, o plenário do Congresso deve votar a proposta de alteração da LDO que elimina a menção à meta de superávit em 2014.

No Rio, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso preconizou que o futuro governo da presidente pode enfrentar "um tremendo problema político" e até a judicialização de decisões importantes porque "não tem condições efetivas de hegemonia no Congresso", onde constituiu sua base calcada não em afinidade de propostas mas sobre "troca de favores".

Para ele, até agora foi possível empurrar a governabilidade com a barriga porque a situação econômica não era aflitiva. Mas Fernando Henrique previu que, se a situação social e econômica se agravar, "é possível que a saída seja a judicialização das decisões". (Valor)

A velha e liberal equipe econômica nomeada por Dilma, praticante da antiga política do superavit primário, do controle da inflação e da redução da dívida, avisa aos gênios bolivarianos: não há Bolsa Família nem Bolsa Empresário grátis.

Em suas projeções, economistas de diferentes matizes podiam discordar das medidas que deveriam ser adotadas em relação à economia no próximo ano, mas sempre houve uma unanimidade entre eles: 2015 seria um ano difícil. Nesta quinta, a fala conjunta dos futuros ministros da Fazenda, Joaquim Levy (foto), e do Planejamento, Nelson Barbosa, ao lado do reconduzido presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, reafirmou a projeção. O ano será de duros ajustes que vão afetar a vida de todos os brasileiros. Pode parecer um contrassenso, mas a mensagem foi bem recebida pelos economistas. 

Isso ocorreu porque, diferentemente da atual equipe econômica, a nova mostrou que reconhece o cenário ruim e sinalizou que vai trabalhar para corrigir a rota. “A nova equipe econômica é uma clara mudança de rumo”, diz o economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-ministro do governo Fernando Henrique Cardoso. “E é uma mudança correta, porque os resultados do primeiro mandato se mostraram ruins. Então, agora não tem mais sentido qualquer análise catastrófica para a economia no ano que vem.”

Segundo ele, um dos efeitos imediatos é que o mercado de trabalho, que começava a dar sinais de arrefecimento, não vai piorar tanto como o esperado. O economista Eduardo Giannetti, que trabalhou na campanha da candidata à presidente Marina Silva (PSB), ainda tem dúvidas sobre se haverá espaço político para a nova equipe trabalhar, mas concorda com a visão. “Caso o novo ministro possa colocar em prática suas ideias, é possível que o cenário de turbulências comece a mudar.”

Ano duro. Uma boa pista sobre qual será o impacto de um eventual ajuste no dia a dia das pessoas está no valor anunciado do superávit primário (a economia do governo para pagar os juros da dívida). Levy falou em 1,2% de primário. Ele é conhecido por ser um ortodoxo, então, a expectativa é que faça um primário sem truques, que dependa de uma arrecadação mais robusta e de um legítimo corte de gastos. “Nesse cenário, não tem mágica: teremos aumento de impostos e cortes de subsídios”, diz Alessandra Ribeiro, economista da Tendências Consultoria Integrada. 

Já se prevê aumento da Cide, que hoje está zerada, o que vai elevar o preço da gasolina. Também existe a expectativa de que as passagens de metro e de ônibus, hoje represadas, sejam reajustadas. O mesmo vai ocorrer com a energia. Pelas expectativas da Tendência, o reajuste médio da conta de luz será de 18%. 

O aumento das tarifas vai pressionar a inflação, que já encostou no teto da meta (de 6,5%). Assim, para fazer a inflação ceder, será preciso segurar o consumo. A Selic, a taxa básica de juros, com certeza vai ser elevada, encarecendo o crédito. As prestações, do calçado mais básico ao carro mais luxuoso, vão ficar maiores. 

Há porém uma expectativa positiva em relação ao outro lado da equação do ajuste: o lado do gasto público. “Se Joaquim Levy cortar gastos ou ao menos segurá-los para que parem de subir acima da receita, teremos dois efeitos benéficos”, diz Marina Santos, economista-chefe da gestora Mauá Sekular. O primeiro é aliviar a alta dos juros. A Selic ainda seria elevada, mas em pontos porcentuais menores. Assim, o tranco sobre o crédito tenderia a ser menor. Isso é possível porque, para cada ponto porcentual a mais que o governo poupa, representa um ponto porcentual a menos para se elevar na Selic.  O outro fator positivo é que um governo mais austero será capaz de resgatar a confiança de consumidores e, principalmente, de empresários e investidores. 

“O cenário para 2015 vinha se deteriorando há meses e tudo indicava que o País caminhava para a recessão, aumento do desemprego, queda da renda, com inflação e perda do grau investimentos: poderíamos retroceder uns 10 anos”, diz Marina. “Ainda não temos os detalhes sobre o ajuste, mas se o discurso for posto em prática, pode recuperar a confiança.” Em outras palavras: o ajuste vai doer em 2015, mas pode deixar a economia mais saudável a partir de 2016.(Matéria do Estadão)

De Maria Cristina Fernandes, no Valor Econômico:

A chegada de Joaquim Levy e Nelson Barbosa no terceiro andar do Palácio do Planalto vai colocar o PT à prova como nunca esteve desde que chegou ao poder. O partido que presidiu a bonança salarial vai ter que encontrar discurso para descer uma provável ladeira no gráfico abaixo. O recado dos futuros ministros não poderia ter sido mais claro. Para retomar o crescimento e manter os ganhos sociais é preciso retomar o equilíbrio fiscal com o 'exemplo do governo', a redução de gastos. 

Deu como certa a redução nas transferências do Tesouro para os bancos públicos, que devem emprestar menos à indústria, a ser afetada ainda pela perda de isenções. A era dos pacotes já passou, mas até as planilhas mais republicanas não veem como alcançar a meta anunciada sem reajuste de tarifas e combustível que pressiona a inflação e exige juro. Some-se a isso mais imposto e um real desvalorizado e tem-se a receita de um partido em apuros.

Sim, o aperto talvez não seja tão forte quanto o de 2003 mas o partido também já queimou uma grande parte da gordura acumulada quando gozava o crédito de assumir o poder pela primeira vez. Tinha um Luiz Inácio Lula da Silva novinho em folha para segurar o tranco. Agora tem Dilma que vai ter que começar a ser uma pessoa melhor aceitando o receituário contra o qual se insurgiu a vida inteira para evitar que lhe fujam os investimentos.

Levy começou seu pronunciamento com uma elegante homenagem a Guido Mantega. Mas, da trinca anunciada ontem, foi o único a não agradecer a nomeação à presidente. Nas 655 palavras de seu breve discurso, citou seis vezes 'superávit' e nenhuma, sua futura chefe. Durante toda a cerimônia, o futuro titular do Planejamento, Nelson Barbosa, foi o único a se definir como servidor de um projeto reeleito há um mês.
 
A omissão de Levy à presidente pode ter sido apenas falta de traquejo. O ministro não fez concessões à arrogância, mas parecia confirmar as impressões de sua ruidosa torcida de que é Dilma quem deve agradecê-lo por ter aceito a tarefa face à desconfiança generalizada sobre os limites de sua autonomia no exercício da missão que lhe foi entregue.

Efeito dominó na corrupção petista na Petrobras: investigação na Suíça pode derrubar novos suspeitos.

A investigação na Suíça que levou à descoberta dos cerca de US$ 26 milhões escondidos no exterior pelo ex-diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, é muito mais ampla. Tão extensa que poderá levar à descoberta de novas pessoas envolvidas no esquema de corrupção, segundo os procuradores brasileiros que viajaram para a Suíça para repatriar o dinheiro. A convite dos suíços, eles analisam a movimentação nas contas bancárias de Costa.

- Na verdade, a investigação vai além de Paulo Roberto Costa – disse Delton Dallagnol, um dos procuradores. Segundo os procuradores, ao investigarem toda a cadeia de pagamentos, os suíços tentam identificar todos os envolvidos. Podem ser brasileiros ou estrangeiros. - Eles (os suíços) podem alcançar pessoas que a gente nem imaginava que existissem e que estão aqui também. A ideia é sobrepor o que as duas investigacões (na Suíça e no Brasil) tem – explicou Delton. 

A investigação na Suíça corre em paralelo com a investigação brasileira. E a ideia é cruzar os dados dos dois lados. - As investigações deles são muito boas, avançaram bastante, e a cooperação é ampla. Não estão medindo esforços para investigar esse caso e adotar todas as providencias cabíveis – afirmou o procurador Eduardo Pelella, que é chefe de gabinete do Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot. 

Por conta de um acordo de sigilo total com os suíços, os três procuradores – Pelella, Dallagnol e Orlando Martello – não quiseram dar nenhuma informação sobre o que viram ou descobriram no exame da movimentação das contas de Paulo Roberto Costa. E se negaram a especular se outros envolvidos poderiam ser brasileiros ou estrangeiros. Pelella insistiu que o sigilo precisa ser mantido, para não se fechar a porta da colaboração com os suíços, que ele considera muito boa:

- Não dá para fechar esse canal, senão mata a galinha de ovos e anos poupados de trabalho – afirmou Pelella. Perguntado sobre o que falta para o dinheiro de Costa voltar ao Brasil, o procurador explicou que agora é uma questão de procedimento da Suíça. - É questão procedimental, que diz respeito ao Ministério Publico suíço – afirmou. (O Globo)

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

FHC: Dilma não tem "legitimidade" política.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticou as articulações políticas que levaram a presiden te Dilma Rousseff a ser reeleita e constituir maioria no Congresso. Em debate na Academia Brasileira de Letras (ABL), FHC af irmou que mesmo antes do segundo mandato, Dilma, "recém-eleita, quando deveria ter toda a força possível, dá a impressão de que há um sentimento de quase ilegitimidade" sobre seu governo, e preconizou que o futuro governo da presidente pode enfrentar "um tremendo problema político" e até a judicialização de decisões importantes porque "não tem condições efetivas de hegemonia no Congresso", onde constituiu sua base calcada não em afinidade de propostas mas sobre "troca de favores".

Para ele, até agora foi possível empurrar a governabilidade com a barriga porque a situação econômica não era aflitiva. Mas Fernando Henrique previu que, se a situação social e econômica se agravar, "é possível que a saída seja a judicialização das decisões".

"Estamos assistindo neste momento um processo complicado de corrupção em que a Justiça está atuando. Isso afeta os partidos e o governo", disse. "Dada a situação política e o constrangimento para mudar essa situação, não é de estranhar-se que no Brasil a solução para o imbróglio político não venha a partir do sistema político, mas do sistema judicial".

FHC arriscou uma análise da divisão de votos da recente corrida presidencial pela qual os eleitores que optaram pela candidatura de Dilma são aqueles "mais dependentes das políticas de governo", enquanto os que votaram no candidato tucano, Aécio Neves, representam a parcela "mais dinâmica da sociedade". "No Acre e em Roraima [onde Aécio ganhou] existe agribusiness. São áreas que começam a ser mais dinâmicas e menos dependentes do Estado", opinou. 

FHC fez a ressalva que a política de alianças não é uma prática exclusiva do governo do PT, uma vez que "o primeiro esforço de qualquer candidato é fazer um leque enorme de alianças sem nenhuma conexão ideológica". Mas o ex-presidente afirmou que a reforma política no Brasil, que poderia reverter esse quadro, é um debate com poucas chances de avançar, pois os partidos que têm sido predominantes - PT, PSDB e PMDB - "não têm a mesma visão sobre a forma para sair disso". Mas criticou o governo por cooptar apoiadores através de troca de favores com partidos "que a todo tempo ameaçam não dar mais apoio". Um exemplo da situação, disse, é a criação de mais ministérios no último mandato para contemplar esses partidos  e manter a base política.

"Veja neste momento a dificuldade que tem a presidente da República recém-eleita. Quando deveria ter toda a força possível, dá a impressão de que há um sentimento de quase ilegitimidade de quem ganhou. Ganhou, é legal, mas por que esse sentimento? Porque ganhou não na parte mais dinâmica do país e por um outro lado, com um sistema de apoio que não se expressa no Congresso, nem no atual e nem no futuro", afirmou. (Valor Econômico)

Irmão petista do ministro Dias Toffoli desviou R$ 28,8 milhões da prefeitura de Marília, acusa MPF.

O Ministério Público Federal denunciou Mário Bulgareli (PDT) e José Ticiano Dias Toffoli (PT) (foto), irmão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, por desvio de R$ 57 milhões do Fundo Municipal de Saúde e de atividades escolares para custear a folha de pagamento e outros gastos da Prefeitura de Marília, interior de São Paulo, entre 2009 e 2012. As verbas eram repassadas pela União para saúde e educação.

Três ex-secretários da Fazenda do município também foram denunciados por participação no desvio do dinheiro. Mário Bulgareli administrou a cidade de janeiro de 2005 a março de 2012, quando renunciou após denúncias de irregularidades em sua gestão. Durante o segundo mandato, o então prefeito foi responsável pelo desvio de R$ 28,2 milhões destinados à saúde e à educação. O vice José Ticiano Dias Toffoli, que assumiu o governo após a renúncia de Bulgareli, teria movimentado irregularmente outros R$ 28,8 milhões nos dez meses que ficou à frente da Prefeitura.

Segundo a Procuradoria, os ex-secretários da Fazenda fizeram as transferências por determinação dos ex-prefeitos. Em depoimento, Dias Toffoli admitiu o uso irregular do dinheiro. Ele teria afirmado que, quando tomou posse do cargo, havia um déficit de aproximadamente R$ 8 milhões no caixa da Prefeitura, o que o teria obrigado a dar sequência aos delitos já praticados pelo antecessor.

O Ministério Público quer a condenação dos denunciados por crime de responsabilidade. A pena é de três meses a três anos para gestores que aplicarem indevidamente verbas públicas. O procurador da República Jefferson Aparecido Dias, autor da denúncia, pede que a Justiça os obrigue a reparar os danos causados à União no valor de R$ 33,2 milhões, correspondente ao montante de recursos retirados das contas sem a devida devolução.

A reportagem tentou contato com o ex-prefeito Dias Toffoli, mas não obteve retorno. O advogado de Bulgareli foi contatado, mas estava em reunião e não pôde atender. (Estadão)

Dilma mentiu e não está cumprindo o que prometeu ao povo na campanha, diz Aécio.

O presidente do PSDB, senador Aécio Neves, publicou nota hoje criticando a falta de coerência de Dilma Rousseff neste fim-começo de governo:
 
“As contradições, cada vez maiores, da presidente Dilma Rousseff sinalizam um governo sem planejamento, que não sabe a direção que vai tomar.

Não foi à toa que a candidata se recusou a apresentar um programa de governo aos brasileiros.

Hoje, fica evidente que ela sabia estar mentindo ao país durante toda a campanha eleitoral. Como devem estar se sentindo os eleitores que acreditaram na candidata e no seu discurso recheado de bondades, vendo que ela hoje está fazendo tudo o que, durante a campanha eleitoral, disse que não faria?

A presidente escolheu novos nomes para área econômica do governo tentando acalmar o mercado e recuperar a credibilidade perdida. Mas, ao mesmo tempo, protagoniza no Congresso mais um violento ataque à credibilidade do país ao afrontar a Lei de Responsabilidade Fiscal, alterando as metas de superávit, e usando como moeda de troca os cargos públicos de sempre.

O governo lembra a música de Noel Rosa, ‘Com que roupa eu vou?’. No caso, com que discurso o governo vai falar ao país? Com o falso discurso populista apresentado na campanha e pelo qual foi eleito? Com o da irresponsabilidade fiscal que afronta o Congresso? Com o defendido pelos novos ministros, que contraria todas as teses defendidas pelo PT?

Afinal, qual é o verdadeiro rosto do novo governo Dilma Rousseff? Refém de tantas contradições, o governo corre o risco de não ter nenhum”.

Aécio Neves
Brasília, 27 de novembro de 2014

Oposição mobilizada para anular sessão fraudulenta do Congresso.

O PSDB anunciou na tarde desta quinta-feira (27) que irá ingressar com um mandado de segurança no STF (Supremo Tribunal Federal) afirmando que a sessão que analisou vetos da presidente Dilma Rousseff foi fraudada. Com isso, pedirá a sua anulação. A ação tem como base reportagem publicada hoje pela Folha que mostra que assessores de partidos do governo e do Solidariedade, que é da oposição, preencheram as cédulas de votação de congressistas. 

A sessão de análise de vetos de Dilma feitos a 38 projetos aprovados pelo Congresso foi realizada na terça. A votação foi em papel. A Folha fotografou e filmou um assessor da Liderança do PC do B e uma assessora do senador Vicentinho Alves (SD-TO) preenchendo as cédulas de votação para os parlamentares. 

"Configurou-se claramente uma fraude. O parlamentar não votou, e sim o assessor. Isso é de uma gravidade extraordinária", afirmou o líder da bancada na Câmara, Antônio Imbasshay (PSDB-BA). O PC do B e os parlamentares que receberam as cédulas preenchidas dizem não ver irregularidades, afirmando que os assessores assinalaram os votos sob orientação dos congressistas. Integrantes da consultoria de direito constitucional da Câmara discordam, porém, argumentando que o voto, o que inclui o preenchimento da cédula, é de responsabilidade exclusiva do parlamentar. 

CÚPULA DO CONGRESSO
 
O DEM também irá pedir a anulação da sessão, mas diretamente à cúpula do Congresso. "Essa sessão apresentou uma série de irregularidades e vamos pedir a apuração. O voto não é uma coisa que o deputado possa transferir para quem quer que seja", afirmou o líder do partido na Câmara, Mendonça Filho (PE). O partido também irá dizer que identificou votos em branco, cédulas com marcações irregulares e até mesmo antigas. 

Durante a sessão da última terça-feira, a área técnica do Senado afirmou que caso os votos válidos não atingissem o quórum mínimo para deliberação -257 dos 513 deputados e 41 dos 81 senadores-, a sessão seria considerada nula. No Senado, foram registrados 42 votos, só 1 a mais do que o quórum mínimo. Governo e oposição travam uma disputa no Congresso que envolve a sessão dos vetos. O Palácio do Planalto mobilizou seus aliados para votá-los em bloco –todos eles foram mantidos– para limpar a pauta, já que eles têm prioridade na votação. 

O objetivo é permitir a aprovação do projeto que, na prática, acaba neste ano com a necessidade de cumprimento da economia de gastos para abatimento da dívida, o chamado superavit primário. A sessão para votar essa proposta está marcada para terça-feira. A oposição tenta barrar a medida. Caso consiga anular a sessão que analisou os vetos aos 38 projetos, ela terá que ser refeita. Com isso, será adiada mais uma vez a análise do projeto que afrouxa a política fiscal neste ano. (Folha Poder)

Vamos entupir o Congresso Nacional com mensagens contra a aprovação do calote fiscal da Dilma. Faça a sua parte!



Senhores e senhoras:

Na próxima terça-feira, o Congresso Nacional estará votando o PLN 36/2014, que rasga a Lei de Responsabilidade Fiscal, dando um calote de mais de R$ 100 bilhões nos cofres públicos. Se o projeto for rejeitado pelos parlamentares, a presidente da República terá incorrido em crime de responsabilidade e o impeachment poderá ser solicitado. Por isso, é importante pressionar os parlamentares para que votem contra o PLN 36/2014. Pressionar não é agredir. Pressionar não é atacar. Pressionar é convencer deputados e senadores que nós, os eleitores, estamos atentos ao voto de cada um e que cada voto será divulgado nas redes sociais. 

Há muitos parlamentares que não foram reeleitos. É importante que nos dirijamos a eles, que não perdem nada votando, pelo menos um vez na vida, a favor do país. Há muitos parlamentares que já foram prefeitos, até governadores. E sempre tiveram que respeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal. Muitos deles possuem até processos no TCU porque não conseguiram cumpri-la em seus municípios e seus estados. Por que dar um cheque em branco para Dilma Rousseff?

Há,também,  muitos parlamentares que são usados como massa de manobra pelos medalhões que indicam ministros e ficam com os melhores cargos. Com as emendas polpudas. Não querem se indispor com estes "reizinhos" do Congresso? Simples! Não compareçam! Não deem quorum! Respeitem a si mesmos e aos seus eleitores.

É importante lembrar aos congressistas que a imagem dos políticos está a pior possível e que esta decadência da democracia representativa só serve a quem não gosta de democracia: o PT e a esquerda bolivariana. Também é importante lembrar aos nossos parlamentares que muitos dos que estão pedindo um voto criminoso contra as finanças do país serão cassados ali na frente, no escândalo do Petrolão. 

Enfim, crie a sua mensagem, não seja desrespeitoso e envie para todos os membros do Congresso Nacional. Não faça exceções. Mande indistintamente. O Blog do Coronel montou o mailing completo do Congresso Nacional. Basta clicar aqui, copiar e colar no seu e-mail e remeter a sua mensagem. Boa sorte!

Futuro ministro da Dilma, que vai mandar no BNDES, é um dos donos de banco que fraudou empréstimos obtidos...no BNDES!

Escolhido pela presidente Dilma Rousseff para ser o próximo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o senador e ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto (PTB-PE) (foto), tem familiares processados por fraudes contra o BNDES, instituição diretamente subordinada à pasta que ele deve comandar a partir de 2015.

O próprio chegou a ser investigado no âmbito de uma ação que se arrasta desde 2005 na Justiça Federal, no qual o extinto Banco Mercantil de Pernambuco - controlado pela família Monteiro - é acusado de uma série de crimes contra o sistema financeiro, entre os quais desvios de recursos do banco de fomento.

Com base em um inquérito instaurado pelo Banco Central, a seção pernambucana da Procuradoria da República ofereceu, em julho de 2005, denúncia contra os administradores do Mercantil, que dez anos antes havia sofrido intervenção do BC. No curso das investigações, surgiram indícios de operações irregulares entre o banco e a Destilaria Gameleira, também de propriedade dos Monteiro.

Foram detectadas, entre outras irregularidades, operações conhecidas por "troca de chumbo", por meio da qual instituições financeiras burlam a vedação legal de concessão de crédito aos próprios administradores ou sociedades coligadas. De acordo com o inquérito, as apurações também constataram desvio, para empresas da família, de recursos do BNDES que deveriam ter sido repassados para investimentos do setor produtivo.

"Constatou-se que recursos repassados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social ao Banco Mercantil por meio do Programa de Operações Conjuntas, que deveriam ser emprestados a empresas para implantação, expansão e modernização de seus empreendimentos, foram desviados para a destilaria Gameleira", diz um trecho do inquérito.

Os autos chegaram em 2007 ao Supremo Tribunal Federal (STF), visto que, à época, Monteiro Neto era deputado federal e dispunha de foro privilegiado. O caso foi arquivado em outubro de 2010, após o parlamentar convencer o Ministério Público de que não participava da gestão do banco e nem da destilaria, mesmo sendo detentor de ações e de um assento no conselho de administração do grupo.

"É verdade que a pequena participação do parlamentar no capital social das empresas, por si só, não retira dele a qualidade de controlador da instituição financeira para fins de responsabilização penal", ponderou o STF. Monteiro Neto, contudo, fez valer seus argumentos ao apresentar documentos que atestavam que ele não esteve presente em assembleias ou reuniões do conselho no período em que as fraudes teriam ocorrido.

Diante disso, ele foi excluído do inquérito e o caso retornou à 4ª Vara Federal de Pernambuco, onde está até hoje, em fase de alegações finais. Com idades superiores aos 70 anos na época da denúncia, quatro réus acabaram beneficiados pelo prazo prescricional reduzido, entre eles o pai e o tio de Monteiro Neto. Da família, restam como réus no processo o irmão do senador, Eduardo Queiroz Monteiro, e um primo, Antônio Dourado Cavalcanti Filho.

Um dos advogados da família no caso, Bráulio Lacerda disse ao Valor que os últimos argumentos da defesa e da acusação ainda vão ser apresentados, mas não informou prazo para que isso aconteça. Por meio de seus assessores, Monteiro Neto apenas reafirmou que sempre se manteve distante dos negócios do Mercantil.

Após anos sob intervenção, o banco da família Monteiro teve sua liquidação levantada pelo BC em 2012, mediante a quitação integral dos débitos pendentes com o governo federal e demais credores. O Mercantil também foi citado no desenrolar do escândalo do mensalão. Uma denúncia do então procurador-geral da República, Roberto Gurgel, apontava que o Banco Rural - que detinha participação na massa falida do Mercantil - teria feito empréstimos ao PT em troca da facilitação do processo de levantamento da liquidação do banco da família Monteiro. (Valor Econômico)

Marcos Maia, do PT, então presidente da Câmara, ofereceu jantar íntimo a Paulo Roberto Costa. Na residência oficial. Hoje ele é o relator da CPMI da Petrobras.

Hoje relator da CPI mista da Petrobras, o deputado Marco Maia (PT-RS) ofereceu um jantar ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, delator da Operação Lava Jato, quando era presidente da Câmara dos Deputados. O encontro ocorreu na residência oficial da Câmara em 2011 e, segundo a Folha apurou com advogados que acompanham a investigação, foi citado em um dos depoimentos que ele prestou à Justiça. 

O deputado confirmou o evento à Folha. Segundo ele, o jantar foi solicitado pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras para tratar de assuntos gerais e institucionais sobre a estatal, em especial o marco regulatório do pré-sal" que, na época, era debatido na Câmara. No cargo, Costa era responsável pela implantação de refinarias e produção de combustíveis. 

Maia afirmou não ter "absolutamente nenhuma" relação com o ex-diretor e que não foi solicitado "nenhum favor nem se tratou de assuntos pertinentes a cargos na Petrobras" na conversa. O deputado petista ressaltou ainda que, assim como Costa, o ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli foi recebido em "outra oportunidade". "Convém salientar que, no caso específico, para atender o pedido do encontro, o horário do jantar foi o que permitiu a melhor acomodação na agenda", disse. 

Um segundo parlamentar do PT, o deputado federal Luiz Sérgio (RJ) não estava na lista de convidados do jantar, mas aceitou ficar para o evento a pedido de Maia. Ele era ministro da Secretaria de Relações Institucionais do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff na época e estava na residência oficial para uma reunião "rotineira" com Maia. Perguntado sobre o que trataram, a sua assessoria respondeu: "assuntos diversos, entre eles o pré-sal, tema bastante em voga na época". 

Sérgio também disse que não houve pedido algum ao ex-diretor e que não tem relação com Costa. Em troca de aliviar sua pena, o ex-diretor da Petrobras afirmou em delação premiada que havia um esquema de pagamento de propina em obras da estatal e que o dinheiro abastecia o caixa de siglas como PT, PMDB e PP. 

Costa compareceu à CPI mista em setembro, mas se recusou a responder questionamentos intercalando as frases "nada a declarar" e "me reservo no direito de ficar calado", para preservar o acordo de delação premiada.(Folha de São Paulo)

Na vergonhosa sessão que analisou os 38 vetos da Dilma, assessores votam pelos parlamentares nas cédulas de papel. Votação pode ser anulada pelo STF.

Pelo menos dois assessores parlamentares preencheram as cédulas dos congressistas durante a votação dos vetos da presidente Dilma Rousseff na terça-feira (26). A Folha fotografou e filmou um assessor da liderança do PC do B (partido da base aliada), que passou boa parte da sessão sentado nas cadeiras reservadas aos parlamentares preenchendo uma pilha de cédulas de votação.Em seguida, ele as distribuiu a deputados da bancada, entre eles Jandira Feghali (RJ) e João Ananias (CE). O senador Vicentinho Alves (SD-TO), partido de oposição a Dilma, também foi filmado pela Folha tendo sua cédula de votação preenchida por uma assessora. 

A sessão do Congresso --que reuniu deputados e senadores-- analisou a derrubada ou manutenção de 38 vetos que a presidente Dilma Rousseff fez a projetos aprovados pelos congressistas. A votação foi em papel. Cada parlamentar tinha a tarefa de marcar na cédula "sim", "não" ou "abstenção" a 314 pontos dos 38 projetos que sofreram veto. Após isso, eles assinavam o documento e o depositavam na urna. 

A votação não ocorre pelo processo eletrônico por uma decisão política: nesse caso, a manutenção ou derrubada de cada um dos vetos teria de ser votada individualmente. No papel, eles são analisados de uma vez só. O processo não é mais sigiloso --após a apuração é conhecido como cada parlamentar votou. 

Integrantes da consultoria de Direito Constitucional da Câmara ressaltaram que o ato do preenchimento da cédula é exclusivo do parlamentar, sendo que a terceirização contraria o princípio constitucional da inviolabilidade do voto do congressista. Segundo eles, a prática coloca em dúvida se aquela é a livre manifestação da vontade do parlamentar e poderia ensejar a anulação da sessão. 

A oposição já está questionando no Supremo Tribunal Federal a validade da sessão, acusando a base governista de ter atropelado regras regimentais para limpar a fila de projetos e permitir a votação da proposta do Planalto que o livra do cumprimento da meta de economia de gastos para abatimento da dívida.

Reportagem da Folha de 2012 já havia flagrado deputados recebendo cédulas preenchidas por ordem da base governista para uma sessão de votação de vetos. Naquela época, o ato foi realizado de forma sigilosa em uma das salas da Liderança do PMDB. O Palácio do Planalto negou relação com a prática. 

OUTRO LADO
A liderança do PC do B informou que a bancada já havia definido sua posição em reunião prévia. "Faz parte do trabalho da assessoria técnica prestar auxílio sob orientação e acompanhamento do deputado, tendo em vista que estavam sendo analisados 38 vetos com mais de 300 itens." Jandira Feghali (RJ), que é líder da bancada, confirmou que o PC do B se reuniu antecipadamente e acertou a derruba de quatro vetos. "Ninguém define a votação de vetos na hora, aqui no plenário. É uma discussão anterior." 

O deputado João Ananias (PC do B-CE) deu uma versão distinta. Ele disse que o partido discutiu apenas alguns vetos. E que não seguiu integralmente a posição da bancada, tendo preenchido ele mesmo a sua cédula. Sobre o fato de ter sido filmado recebendo a cédula preenchida, disse que a pegou como recebe qualquer coisa que lhe dão.

O senador Vicentinho Alves (SD-TO) disse, por meio de sua assessoria, que votou 3 dos 38 vetos, mas que como tinha esquecido de levar os óculos ao plenário, e estava sentado num ponto com pouca iluminação, pediu para sua assessora legislativa marcar os demais. O senador afirmou que orientou a servidora em todas os registros.(Folha de São Paulo)

Eletrobras vira sócia da Queiroz Galvão, empreiteira do Petrolão, para construir hidrelétrica na Nicarágua. O BNDES entra com o dinheiro, a Eletrobras com o risco e a empreiteira comanda a sociedade.

Clique aqui e conheça o site do Projeto Tumarin. Está hospedado no portal Centrales Hidrelétricas de Nicarágua (CHN), um consórcio entre a Eletrobras e a Queiroz Galvão para construir uma grande hidrelétrica naquele país.  Como todos sabem, a Construtora Queiroz Galvão, está envolvida até o pescoço no Petrolão. Por sua vez, a Eletrobras teve um prejuízo de R$ 2,7 bi apenas no terceiro semestre de 2014. O valor da obra paga pelo dinheiro dos brasileiros via BNDES? U$ 1,1 bilhão! 

No site ficamos sabendo que:

a) Las obras serán financiada con apoyo del Banco Nacional de Desarrollo Económico Social (BNDES) de Brasil, así como del Banco Centroamericano de Integración Económica (BCIE), por medio de la estructuración de un Project Finance.

b) La construcción de la presa será realizada en un período de 4 años y después de los primeros 26 años de operación comercial, de acuerdo a lo que establece la Ley 695 y su reforma, la Ley 816, la planta pasará sin costo alguno al gobierno de Nicaragua, representado por ENEL.

Precisa traduzir? Não é um negócio muito estranho? Mas o pior os leitores não sabem.  O gerente geral da CHN é um brasileiro. O nome dele é Roberto Abreu de Aguiar. Sabem onde ele trabalhava antes? Na Construtora Queiroz Galvão. Não é engraçado que a Eletrobras, que tem um imenso prejuízo no Brasil, insista em fazer uma obra lá fora que, daqui 26 anos, será entregue ao governo da Nicarágua, sem custos? E que abra mão de enviar um diretor brasileiro, funcionário público, para coordenar a obra, deixando tudo nas mãos de um ex-funcionário de uma das construtoras do Petrolão?

O que fica cheirando é que existe aí uma grande negociata. O BNDES bota o dinheiro. A Eletrobras entra com o risco. A Queiroz Galvão toca o negócio sem que ninguém fiscalize a obra. E a Nicarágua ganha uma grande hidrelétrica de graça, depois de 26 anos. Já pensaram se Itaipu fosse um negócio assim? É gravíssimo que governo brasileiro não comande a obra. Que a construtora mande! O TCU, o MPF, a PF e o juiz Sérgio Moro não entram lá. Imaginem o tamanho da roubalheira!  

Assista aqui a um dos vídeos onde Roberto Abreu de Aguiar informa que o primeiro passo é a construção de uma estrada de 50 km até o local da obra. O homem da Queiroz Galvão manda, não pede. Virou celebridade na Nicarágua, às custas do dinheiro do contribuinte brasileiro.

Leia aqui matéria de hoje sobre Tumarin, publicada no Estadão.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Aécio Neves diz que primeiro mandato de Dilma foi sustentado pela corrupção. E que segundo começa refém do fisiologismo.

O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), disse que a ausência da base na sessão do Congresso Nacional, inviabilizando a alteração da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para acomodar o rombo das contas públicas, foi um recado para a presidente Dilma Rousseff. O tucano disse que a presidente está refém de seus aliados, que não aprovaram a mudança, porque ainda não tiveram seus pleitos atendidos e estão a espera de uma resposta que ainda não veio. Ele reafirmou a disposição da oposição de brigar no Supremo Tribunal Federal se a mudança, inconstitucional, da Lei de Responsabilidade Fiscal for aprovada.

Segundo o tucano, as dificuldades do governo em aprovar o fim da exigência de cumprir o superávit primário foi um recado claro, “uma violência da base mostrando que não tem limites, que só atende o governo se for atendida”. — A presidente Dilma Rousseff, para se livrar de um crime de responsabilidade, terá de entregar, necessariamente, mais espaço de poder. E eles sabem disso. Só vão dar a ela a anistia que busca, se forem atendidos em seus pleitos . A presidente está refém de uma estrutura politica que só lhe dá apoio em torno de espaço de poder — comentou Aécio.

Aécio disse ser “risível” o discurso do senador Lindbergh Faria (PT-RJ) , que da tribuna hoje disse que a Oposição será culpada pela paralisação do País, caso o governo seja obrigado a cumprir a meta de superávit primário se a mudança não for aprovada. — Esse discurso de culpar a oposição é risível. Esse governo começa seu segundo mandato desmoralizado — disse. 

Ao comentar a decisão do procurador geral da República, Rodrigo Janot, de enviar ao Supremo pedido de abertura de inquérito para apurar responsabilidades de ministros e parlamentares no esquema de desvios investigados pela Operação Lava-jato, Aécio disse que o cerco está se fechando e o que apareceu até agora é apenas a ponta do iceberg e ninguém tem noção do tamanho da pedra. — O que vem aí pela frente é muito grave e é incontrolável, por mais que tentem controlar. Vamos ter um início de ano turbulento. Do ponto de vista econômico, as medidas anunciadas confirmam o estelionato eleitoral. E a Lava-jato é a constatação, cada vez maior, que esse governo foi sustentado por um esquema de corrupção — disse Aécio. (O Globo)