domingo, 29 de março de 2015

PT enfrenta adversário do mesmo nível: Eduardo Cunha.

(Entrevista publicada em O Globo de hoje) O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, tinha ido dormir às 3h da madrugada. Às 8h de quarta-feira, estava de pé na porta da residência oficial para receber O GLOBO. Meia hora antes, na sala decorada com porta-retratos com imagens das quatro filhas, do filho e da mulher, já havia se reunido com o deputado Hugo Motta (PMDB-PB), indicado por ele para presidir a CPI da Petrobras.

Pediu ao garçom uma vitamina, pôs no prato uma fatia de melão — que ficou praticamente intocada —, e passou a discorrer com acidez sobre erros da presidente Dilma Rousseff, mostrando-se bem à vontade na condição de “bicho-papão” do governo e do PT. Fez um resumo da relação do partido dele, o PMDB, com o governo: “Na prática, a gente finge que está lá (no governo). E eles fingem também (que o PMDB está no governo).”

Cunha afirma que seu poder vem do cargo que ocupa e da percepção de que, para chegar ali, ele derrotou o governo e a oposição. Diz achar que Dilma se cercou de pessoas fracas, mas nega que ele e o presidente do Senado, Renan Calheiros tenham tomado o comando do país.

O senhor defende a redução pela metade dos ministérios. É declaração de guerra ao Planalto?
Eu não estou fazendo crise! Os ministros (do PMDB) não têm ministério (relevante). Sempre foi assim. Na prática, a gente finge que está lá (no governo). E eles fingem também (que o PMDB está no governo).

O PMDB tem dito que não quer mais cargos no governo. É real?
Ninguém quer. Para quê? Você acaba apadrinhando, tem que ser tudo técnico, né? Só que é ladrão técnico, não é ladrão político. Eu conheço ladrões técnicos, muitos ficam buscando os políticos, e muitos (políticos) são inocentes e apoiam. Alguns, eventualmente, podem até ter motivos escusos, não vou dizer que só tem santo. Mas, com certeza, esse ladrão não diz para ele o que está fazendo. Fica um monte de pilantra circulando os políticos, pedindo apoio. Para ficar livre do cara, você diz que apoia. E os caras são ladrões, que querem ter apoio para roubar.

A oposição diz que, na prática, quem está governando é o PMDB, e não Dilma...
Quem tem a caneta? É ela. Quem edita medidas provisórias? É ela. Quem libera o Orçamento? É ela. Quem nomeia e indica a cargo? É ela. Então, é ela quem governa. A devolução da MP 669, do ajuste fiscal, pelo Renan, foi um gesto político. Tanto que o governo revogou a MP, para poder mandar o projeto de lei.

O senhor diria que governo está em colapso político e gerencial?
Não diria que ele está em colapso gerencial. Eu diria que ele está em uma inércia de comunicação. Ele pode até estar gerenciando, mas não comunica o que está fazendo. Eu acho que o governo passa a sensação de estar parado. Ou de não ter o que fazer. A Petrobras foi responsável por 1% do PIB de perda este ano. A Petrobras está parada. O Comperj mandou 19 mil embora. Tem gente na rua pedindo esmola lá (em Itaboraí, RJ). Foi embora a perspectiva de o Rio produzir 85% do petróleo do país, e hoje não refina nem 10%, de poder agregar renda, desenvolvimento. E o processo econômico do Rio é dependente do petróleo. Então, o meu estado está em situação complicadíssima. A gente vê essa paralisia em vários lugares. Ela (Dilma) tem que responder a essa paralisia com ação.

Dilma está conseguindo governar?
Não acho que ela esteja parada. Acho é que está todo mundo no meio de uma crise política que não acaba.

De onde veio a crise?
Essa eleição foi muito diferente das outras três eleições do PT. Eles não tiveram hegemonia eleitoral, mas uma vitória apertada. E não entenderam esse processo. A crise começou no dia em que a presidente ganhou a eleição. Ela não disse o que ia fazer com o país. Isso foi gerando a crise política. Ficou claro e nítido que eles estavam fazendo uma opção de enfraquecer a todos nós.

A presidente não soube manter a base política construída por Lula?
Ela tinha a estrutura e não precisava implodi-la. A leitura que foi feita quando veio aquela operação Tabajara, do Kassab (Gilberto Kassab, ministro das Cidades, que patrocina a criação do PL, visto pelo PMDB como uma tentativa de diluir seu poder), que não podia dar certo. Porque não ia achar uma turma de pessoas experientes da política que assistisse isso acontecer. Eu ouvi uma frase ótima outro dia: “Dá 60 deputados para o Kassab para ver se ele não ia ficar igual”. Kassab virou formador de partido.

Formador de partido para barganhar com o governo?
Eu não quero acusar o Kassab. Foi a opção que ele fez e, se deram corda para ele, quem deu a corda é que está errado. Cada um propõe o que quiser. Quem aceita, ou não, é o outro.

Isso influenciou a crise política?
No dia da eleição, ela (Dilma) foi erraticamente discutir reforma política com plebiscito, e optou por esse caminho de formar um partido falso, inexequível. E isso jamais ia ter sustentação política. Ele (Kassab) foi ajudado por todo mundo para fazer aquele partido.

Foi uma tentativa de a presidente ficar mais independente de Lula e do PT?
Eu acho que não foi contra o Lula. Foi contra a gente mesmo, contra o PMDB.

Mas o PMDB já estava independente na Câmara antes de começar a formação desse novo partido...
Mas a independência do PMDB na Câmara foi por outro movimento errado dela. Ali juntaram dois problemas. Do período eleitoral em que o PT queria a hegemonia e não abria mão. O resultado é que Lindbergh Farias acabou em quarto lugar no Rio. Ao mesmo tempo, aquela reforma ministerial da desincompatibilização (substituição dos ministros que deixaram os cargos para se candidatar em 2014), usar aquilo para acerto eleitoral do PT? Reagimos e ficamos independentes.

Essa ação para afastar o PMDB partiu da presidente ou do PT?
Não sei se foi estratégia do círculo dela. Quando você escolhe as pessoas para fazer parte do seu círculo de intimidade, naturalmente escolhe em qual linha atuar. Pepe Vargas e Miguel Rossetto (ministros da articulação política) não estão no padrão de um processo desse tamanho. Você deve colocar pessoas do mesmo tamanho que você ou maiores. É erro de formação de equipe.

Mercadante tem comando?
Eu não convivo naquela intimidade para saber. Ricardo Berzoini (Comunicações) tem uma doutrina ideológica forte, é patrocinador da regulamentação da mídia, da radicalização dos atos políticos e continua no núcleo do processo. Jaques Wagner (Defesa) pode não estar com poder, mas está no bojo da articulação. É mais maleável.

A articulação precisa de alguém que tenha coragem de enfrentar a presidente e dizer onde está errando?
É preciso ter uma articulação que busque a integração de todos e não deixar prevalecer um ponto de vista. Dilma saiu da máquina. É a primeira presidente da República que não foi parlamentar. Ela não conhece o Congresso.

É hora de pôr alguém de fora do PT?
O problema não é ser ou não do PT, mas de comportamento. Briguei com o (deputado) Henrique Fontana durante a minha campanha, porque não pode o líder do governo dar uma coletiva contra mim, líder do PMDB. Eles, às vezes, misturam muito o papel de PT com governo.

O senhor já pensou em assumir a Presidência da República?
Essa pergunta você sabe que não vou responder, não vou cair nessa (risos).

Basta que duas pessoas viajem para o senhor assumir a Presidência.
Para quê? Para ficar lá cinco minutos e só? Vou usar a caneta para quê? Se o Cid (Gomes) ainda fosse ministro, eu podia demitir o Cid. Mas não vou poder nem demitir o Cid.

O senhor é oposição ou governo?
Nesse momento, sou o presidente da Câmara. Não posso me comportar nem como oposição, nem como governo. Tenho que me comportar como poder independente. Preguei na minha campanha que ia ser independente, não ia ser submisso, e que daria governabilidade. Vou cumprir o meu programa.

O senhor divide opiniões. O senhor é anjo ou demônio?
Eu sou o Eduardo Cunha (risos). Não sou nem anjo, nem demônio. Sou coerente com o que falo.

Controla a CPI e impediu a convocação de Fernando Baiano (apontado como operador do PMDB na Petrobras), como dizem seus adversários?
Não é verdade. Quem controla uma CPI? Por mim, pode convocar quem quiser. O que houve foi a conscientização de não trazer pessoas presas para cá. O caso do Renato Duque é diferente, porque ele ainda não estava preso quando o convocaram.

O senhor está tranquilo quanto às acusações dos delatores?
Absolutamente tranquilo. (Meu advogado) falou que o (doleiro) Youssef fala que não me conhece. Que não tem absolutamente nada contra mim. Forçaram a barra do Youssef perguntando de mim, aí ele fala que ouviu do Júlio Camargo. Ele não me acusa de nada. Diz que não me conhece, não sabe nada de mim.

Mas seu nome foi incluído.
A partir de agora, estou em guerra aberta com o (procurador-geral da República, Rodrigo) Janot. Tudo é possível. Vamos ver até que nível que vai. Ele me escolheu. Está muito claro.

É o maior escândalo do país?
Além de ser inacreditável, foi o maior escândalo de corrupção do mundo. O que mais me incomoda é a gente olhar que tem um escândalo desse tamanho e achar que todo mundo está igual. É a percepção que passa quando abre um inquérito para um e para o outro que não roubou.

O senhor acusou o governo de atuar para te incriminar...
Eu já disse que tinha a mão do governo. Já acusei claramente.

O Congresso atual é conservador?
Ele é! O Congresso é conservador na sua maioria porque a sociedade é conservadora em sua maioria.

Eduardo Cunha é conservador?
Sou um político de centro, que acredita no mercado. Busco essa linha. E sou conservador de costumes sim. Defendo a tese da vida e da família. Aborto, todo mundo é contra. A questão não é só evangélica. É católica. Cristãos que defendem a vida.

Povo vai pagar 85% do tarifaço da Dilma. Governo petista só vai cortar cafezinho, xerox e nenhum cargo em comissão.

(Estadão) A maioria das pessoas não sabe para que serve o superávit primário – economia de recursos feita pelo governo para manter as contas no azul e garantir um extra que cobre o pagamento da dívida pública. Neste ano, porém, todos os brasileiros vão tirar dinheiro do bolso para ajudar nessa economia. Do bolo de recursos que o governo já garantiu para o superávit, 85% são bancados pela população.

Segundo cálculo do economista Mansueto Almeida, feito a pedido do Estado, as medidas anunciadas pela nova equipe conseguiram reunir até agora R$ 45 bilhões dos cerca de R$ 66 bilhões que fixou como meta para 2015 (o compromisso é fazer o equivalente a 1,2% do Produto Interno Bruto do ano). Ocorre que apenas R$ 7 bilhões são cortes na máquina pública, basicamente de despesas de custeio, como cafezinho e xérox.

O grosso dos recursos, R$ 38 bilhões, vai sair do orçamento das famílias (veja quadro abaixo). Uma parte virá da cobrança de tributos, como a volta da Cide nos combustíveis e a mudança no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), com o fim da desoneração de veículos e a alta na taxa para cosméticos. Um estudo da LCA Consultores, encomendado pelas indústrias do setor, concluiu que um simples batom – que pelas estimativas vai subir mais de 12% – dará um quinhão ao ajuste fiscal. 

“Não tinha como ser diferente porque esforço fiscal se faz com corte de gasto ou alta de tributo”, diz Mansueto. “Ainda assim, o governo terá dificuldades para cumprir a meta.” Para o economista, nem tudo que é esperado virá. Os R$ 18 bilhões estimados com as mudanças em benefícios sociais, como pensão das viúvas jovens e seguro-desemprego, devem cair a R$ 3 bilhões. Outras despesas, como o Bolsa Família, vão crescer e reduzir os ganhos da medida. O fim da desoneração da folha de pagamento, por sua vez, gerou tanta polêmica que, para Mansueto, é uma incógnita. Ele nem a considerou na estimativa. “Para fechar a meta, o governo terá de fazer um corte brutal de investimentos ou elevar carga tributária, punindo o já comprometido crescimento.” 

Contas engessadas. Matematicamente, o superávit primário se dá quando a receita é maior que a despesa (excluindo-se gastos com juros). Assim, ele sinaliza que não vai deixar a dívida pública fugir do controle, o que fortalece a confiança dos investidores e gera um ciclo virtuoso na economia. 

O Estado brasileiro sempre gastou demais. Em parte, com a proliferação de órgãos e funcionários. Pesam também as obrigações com a população, principalmente após a Constituição de 1988. O governo deve garantir previdência, saúde e educação universais sem ter mecanismos financeiros adequados. “Os benefícios criados na Constituição atentam contra a aritmética”, diz William Eid Junior, coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getúlio Vargas. 

Para os economistas, após a crise de 2008, a política adotada pelo governo aprofundou as distorções: houve excesso de desonerações e benefícios setoriais, além de outros mecanismos de intervenção na economia que levaram à queda da arrecadação, do investimento e do crescimento. “O descontrole dos últimos anos foi grave”, diz o economista Marcos Lisboa. 

 Clique para ampliar e ler o infográfico do Estadão.

PT quer esconder a sigla atrás de uma "frente" nas eleições de 2018. Só se for a Frente da Corrupção e da Roubalheira.

E a "Frente da Corrupção e da Roubalheira" já começou com Lula chamando o Exército do MST...

(Folha) O PT já vem escondendo a estrelas, as cores e as bandeiras desde o Mensalão. Agora, com o Petrolão e o Buracão econômico criado por seus governos querem pintar o Brasil de cor-de-rosa, maquiando a cor ocre da lama da corrupção. A matéria abaixo, da Folha, é uma é o ápice da dissimulação e do cinismo desta grande quadrilha que tomou conta do Brasil. Não chegam os assaltantes de uma só legenda. Querem fundar, realmente, um sindicato de ladrões para continuar roubando o país até a última gota de petróleo, até a última semente de soja, até o último lingote de ferro.

Preocupado com o desgaste da imagem do partido, o comando petista discute a adoção de um caminho que, na prática, poderá encobrir sua sigla, PT, nas futuras eleições. Segundo petistas, o ex-presidente Lula é um dos incentivadores da criação de uma frente inspirada no modelo uruguaio: uma grande coalização que reuniria sindicatos, associações, outros partidos, ONGs e outras entidades de movimentos sociais. Por essa fórmula, as candidaturas seriam lançadas em nome da coalizão, não mais pelos partidos que a integram. 

No Uruguai, a Frente Ampla, que congrega diferentes legendas e grupos sociais, governa o país desde 2005. É composta por siglas autônomas sob o comando de uma direção unificada. O ex-presidente José Mujica, por exemplo, é do partido MPP. Mas sua candidatura foi lançada pela frente. 

O presidente do PT, Rui Falcão, afirma que essa solução será tema de debate no 5º congresso do partido, em junho, na Bahia. Ele diz, no entanto, que a intenção não é apagar a sigla PT das disputas majoritárias, mas reanimar a discussão interna e atrair movimentos sociais. "Vejo com simpatia a ideia de que, no bojo da reforma política, se abra espaço para a criação de um movimento que leve a uma experiência como a da Frente Ampla, no Uruguai, e a da Concertação, no Chile", disse, numa alusão também à aliança que, em 1988, derrotou o ditador Augusto Pinochet. 

Assessor especial da Presidência e um dos conselheiros de Lula, Marco Aurélio Garcia afirma que o PT precisa discutir "uma política mais complexa" de organização partidária. "A Frente Ampla é uma das alternativas que contam com nossa simpatia. Eu e Lula já conversamos muito sobre esse sistema", diz. Segundo Garcia, "o momento é adequado" para isso, desde que também haja uma reflexão mais profunda sobre o partido. 

Para explicar o funcionamento do sistema aos petistas, a secretaria de assuntos internacionais do PT está organizando uma palestra com um representante da Frente Ampla uruguaia. Esse debate expressa um esforço de Lula em busca de uma saída para a crise petista, acentuada agora pela baixa popularidade de Dilma e pelas acusações contra membros do partido na Operação Lava Jato. Embora a proposta enfrente resistência interna, a discussão de um novo modelo poderia atrair movimentos sociais em defesa do governo. 

Segundo petistas, Lula tem repetido que Dilma "não pode sair [do governo] pela porta dos fundos". Ao pregar a renovação, ele tem dito que o "operário de fábrica de hoje é totalmente diferente do da década de 70". O ex-presidente conhece bem o modelo uruguaio. Em 2011, foi até orador de honra no aniversário de 40 anos da frente do país vizinho. 

Outro simpatizante do modelo é o ex-ministro Tarso Genro (PT-RS). Em suas conversas, ele diz que uma "boa frente política para o país deve se inspirar no segundo turno que elegeu a presidente Dilma Rousseff", incluindo, por exemplo, "do economista Luiz Carlos Bresser-Pereira a Lula; do deputado Jean Wyllys ao ex-ministro Roberto Amaral". Na opinião de Tarso, essa frente poderia funcionar a partir de 2018, ano da próxima eleição presidencial.

Explode a bolha populista e a desaprovação de Dilma sobe para 55% no Nordeste.

(Folha) O forte aumento da rejeição ao governo Dilma Rousseff no Nordeste ocorre no mesmo momento de uma perda importante do dinamismo na região, que chegou a crescer a velocidades "chinesas" ao longo da década passada. Segundo o Datafolha, o índice de ruim/péssimo de Dilma saltou de 11% para 55% de outubro a março no Nordeste. O período coincidiu com a disparada da inflação medida regionalmente e com a primeira queda em vários anos do saldo líquido de empregos formais na região (veja quadro à pág. B3). 

Embora ainda conserve desempenho superior à média nacional, a atividade no Nordeste vem convergindo para o baixo ritmo do resto do país. A região também perde terreno em áreas intensivas em mão de obra, como a construção civil. Alguns grupos regionais já reveem abruptamente suas expectativas. 

Em 2014, o Nordeste concentrou 30% das demissões na construção civil, setor que cortou 106 mil vagas no país. O recuo de 3,4% na média nacional foi menor que o de 4,6% na região nordestina. Cortes nas verbas e nos pagamentos de obras de infraestrutura e do Minha Casa Minha Vida são alguns dos principais motivos para o aumento das demissões na região, avalia Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção da FGV/Ibre. 

Diante do novo cenário, um dos principais grupos do setor de material de limpeza do Norte e Nordeste, o Raymundo da Fonte --detentor da popular marca Brilux--, readequou sua projeção de crescimento para 2015, de 12% para 5%. "Há uma acomodação do mercado e queda no consumo. Se conseguirmos manter o ritmo de produção e não demitir, já vai ser muito bom", diz o diretor comercial do grupo, Romero Longman. 

"As pessoas colocaram o pé no freio, comprando em quantidade menor e buscando marcas mais baratas", afirma Teobaldo Costa, presidente da Associação Baiana de Supermercados e dono do grupo Atakarejo, o maior do segmento na Bahia. Segundo o Datafolha, o Nordeste concentra a maior proporção de eleitores que votaram em Dilma em outubro e que agora consideram seu governo ruim/péssimo: 24% estão "frustrados", ante a média nacional de 16%. 

"A rejeição maior vem da frustração com a economia, do medo do desemprego e da percepção da inflação fora do controle. Tudo temperado pelos escândalos de corrupção", afirma Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha.

sábado, 28 de março de 2015

Robô vira dono da comunicação da Dilma.

Abaixo a coluna de Merval Pereira, em O Globo, comentando a nomeação de Edinho Silva para a Secretaria de Comunicação Social da Dilma. Um primeiro intitulado " O PT com a verba e o verbo".

Mais importante que a constatação de que a economia brasileira está estagnada desde o ano da eleição, o que foi escondido do povo brasileiro por uma ação publicitária que distorceu números e fatos numa clara agressão ao sistema democrático, é saber que a culpa pelos nossos males é coisa nossa, não de crises internacionais.

Um levantamento do professor Reinaldo Gonçalves mostra que o Brasil em 2014 ficou em 172ª posição num conjunto 188 países, o que quer dizer que nada menos que 91% dos países tiveram melhor desempenho que o nosso.
 
Em relação ao quadriênio de Dilma Rousseff (2011-14), nossa posição tem uma melhora relativa: ficamos na 126ª posição, sendo superados por 67% dos países.
 
No plano interno, a presidente Dilma continua na mesma posição constrangedora de ser a presidente com a terceira pior média de crescimento do PIB da República brasileira, ao lado de Venceslau Brás, com 2,1% de crescimento, superando apenas dois presidentes que tiveram média negativa de crescimento em seus mandatos: Fernando Collor -1,3; Floriano Peixoto -7,5.

Se as previsões se confirmarem para este ano, com uma retração do PIB que pode chegar a até 1% segundo alguns economistas, a média para cinco anos cairá abaixo de 2%. Como a situação política é fortemente influenciada pela economia, dificilmente a presidente Dilma encontrará este ano condições de recuperação de sua popularidade, que as pesquisas de opinião mostram estar num momento crucial, provavelmente na casa de um dígito de aprovação se tomarmos a média dos institutos de pesquisa.

Foi sob o impacto da informação de que o nível de aprovação da presidente Dilma estava em 7 pontos num tracking encomendado pelo Palácio do Planalto que o ex-ministro da Comunicação Social Thomas Trauman escreveu aquele já famoso relatório que afinal o derrubou.

Entre as ilegalidades que defendia, destacam-se o uso dos blogs sujos para atacar os adversários do governo. No que via como uma “guerrilha de comunicação”, o documento lamentava que os robôs que atuaram na campanha presidencial para espalhar boatos e elogios a favor de Dilma tivessem sido desativados, e recomendava que o Planalto desse “munição” para “os soldados de fora” dispararem.

Há também a defesa do uso da Voz do Brasil e da televisão oficial para mostrar os feitos do governo, numa confusão clara entre órgãos do governo e do Estrado brasileiro. A demissão de Trauman, ao contrário do que se podia supor, não foi devida ao conteúdo do documento, mas ao seu vazamento.

Infere-se isso pela escolha por Dilma de seu tesoureiro de campanha, o petista Edinho Silva, para o cargo, entregando ao PT a verba e o verbo da comunicação do governo. Como nos governos petistas as pessoas importam mais que os cargos que ocupam, Edinho quase foi nomeado para diretor da Autoridade Pública Olímpica, mas a presidente Dilma desistiu ao constatar que ele não seria aprovado pelo Senado.

Como a nomeação para o ministério é de inteira responsabilidade da presidente, lá se vai Edinho Silva tratar da imagem do governo federal. Logo ele, que foi tesoureiro da campanha de 2014 de Dilma e, segundo anotações atribuídas a Ricardo Pessoa, dono da UTC, “está preocupadíssimo”. E segue texto de Pessoa: “Todas as empreiteiras acusadas de esquema criminoso da Operação Lava-Jato doaram para a campanha de Dilma. Será que falarão sobre vinculação campanha x obras da Petrobras?”.

Esse e outros textos encontrados se parecem com chantagem, no momento em que delações premiadas estão sendo negociadas. Mas Edinho Silva pode trazer também mais problemas políticos para Dilma. Ele afirmou recentemente que as manifestações de rua são coisa da elite golpista, e que é preciso “combater a direita” em todo o continente.

Coroando seu pensamento, antes mesmo de assumir a missão palaciana ele já havia dito o que pensava especificamente sobre a área em que vai atuar: “Temos que criar efetivamente condições para que haja uma democratização da comunicação no país. E isso passa pela democratização da propriedade dos veículos”.

Mesmo que tenha salientado que esse debate “deve ser feito com muita tranquilidade, sem partidarismo e em parceria com a sociedade”, Edinho já disse a que veio.

Ah, essa elite branca e raivosa... 85,1% desaprovam Dilma em Santa Catarina e 63,1% pedem impeachment.

(Diário Catarinense) No segundo turno das eleições presidenciais, em outubro do ano passado, os catarinenses deram a Dilma Rousseff (PT) o pior resultado proporcional. Passados menos de seis meses, a desaprovação em relação à gestão da petista alcança 85,1% em Santa Catarina.

Os números são da pesquisa realizada pelo Instituto Mapa. O levantamento foi feito com 1.015 pessoas em 26 municípios que abrangem as seis mesorregiões do Estado, entre os dias 17 de 27 de março de 2015. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais para cima ou para baixo.

Na avaliação da administração do governo, 59,3% dos catarinenses responderam que a gestão é péssima e 14% dizem ser ruim. Para 17,7% dos entrevistados o governo é regular. A avaliação positiva se divide entre os 6% que consideram a gestão boa e os 1,9% que entendem ser ótima.

De acordo com o Mapa, 82,3% dos entrevistados não confiam em Dilma e 55,6% acreditam que ela poderia ter feito mais ou muito mais do que fez até agora pelo país. Os que acham que a presidente está fazendo tudo ou mais do que pode somam apenas 7%.

Os catarinenses também se mostram pessimistas quanto ao futuro do país. Para 57,9%, a situação política e econômica do Brasil vai piorar nos próximos meses, contra 23,8% que avaliam que ela permanecerá igual e 16,1% que acreditam que ela vai melhorar.

Vaccari e Rui Falcão matando a saudade.

(Notinha da Época) Está vendo esse senhor de barba branca sentado à frente do presidente do PT, Rui Falcão? É o secretário de Finanças do partido, João Vaccari Neto. Sabe onde eles estão? No Posto da Torre, localizado no centro de Brasília. Pois é, foi a lavagem de dinheiro do dono do posto que levou a Polícia Federal a iniciar a investigação da Lava Jato, referência ao estabelecimento. Dali chegou-se aos milhões desviados da Petrobras para os cofres do partido. Vaccari e Falcão passaram lá recentemente para fazer uma boquinha.

Tesoureiro da Dilma, Edinho Silva fica blindado contra Lava Jato. Se denunciado, só poderá ser julgado pelo STF.

O novo ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, foi o tesoureiro da campanha de Dilma em 2014. Já há indícios que dinheiro do Petrolão alimentou as contas da presidente, além de uso desbragado da máquina pública. A qualquer hora, Edinho Silva poderá se transformar em um novo Delúbio Soares ou em um novo João Vaccari Neto, ficando debaixo de investigação. Afinal de contas, o PT é o Partido dos Tesoureiros. Sem saber diferenciar um GRP de um CPM, Edinho Silva é sociólogo e engenheiro de produção, além de político. Tem tudo para ser engolido pela blogosfera do esgoto e pelos robôs cultivados pela Agência de Notícias do PT. E de jogar R$ 320 milhões a plantar listas de Furnas, dossiês manipulados e hashtags caluniosas das redes sociais. Fora o financiamento de folheteria, faixas e outras baixarias para serem utilizadas nas manifestações pacíficas que vêm por aí. Como ministro, se envolvido no Petrolão, Edinho escapa de Sergio Moro no Paraná. E cai nas mãos do Teori Zavascki no STF. Uma bela jogada.

Bom crescimento do PIB de outros países desmente Dilma sobre impacto da "crise internacional" no Brasil. Problema é aqui.

(O Globo) Entre os países do G-20, grupo que engloba as economias mais industrializadas do planeta, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil teve um dos piores desempenhos em 2014. Só ficou à frente de Itália, cuja economia retraiu 0,4% em 2014, e do Japão, que teve crescimento zero.

Entre os integrantes do Brics, grupo de economias consideradas emergentes, o Brasil também decepcionou. A China cresceu 7,4%; a Índia, 7,2% e o crescimento projetado para a Rússia, mesmo com a queda do preço do petróleo e a tensão com a Ucrânia, é de 0,3%. Já na comparação com a América Latina, o desempenho da economia brasileira também ficou aquém de outras na região. O Brasil foi superado pelas economias da Argentina, que apresentou crescimento de 0,5%, e do México, que registrou expansão de 2,1%.

Na Europa, os países da zona do euro retomaram o crescimento depois da crise de 2008. A Alemanha cresceu 1,6%, enquanto o Reino Unido expandiu-se 2,6%. Na média, entre os países da zona do euro, o crescimento foi de 0,9%.

O professor de economia internacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Reinaldo Gonçalves, compilou o crescimento do PIB de 187 países, entre 2011 e 2014, com base em dados publicados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Na média dos quatro anos, o Brasil ficou na 126ª posição, com um crescimento médio de 2,1%. - Isso demonstra que o argumento do governo, de que o cenário internacional prejudica o crescimento do Brasil, não é verdadeiro - diz Gonçalves. 

Ranking elaborado pela agência de classificação de risco Austin Rating mostra que mesmo com a estagnação da economia brasileira em 2014, o país se mantém como a sétima maior economia do mundo, com PIB de US$ 2,3 trilhões, à frente de economias como Índia (8ª), Itália (9ª) e Rússia (10ª). Os Estados Unidos continuam sendo a maior economia do planeta, com PIB de US$ 17,4 trilhões, seguidos pela China, com US$ 10,4 trilhões.

— No campo doméstico, a instabilidade econômica no país, em 2014, trouxe impactos negativos sobre o crescimento. No plano externo, o fim dos estímulos à economia americana e a expectativa de uma alta de juros no segundo semestre vem alterando a paridade das principais moedas do mundo, entre elas o real, em relação ao dólar — explica Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, que elaborou o ranking.

Além disso, a China, principal parceiro comercial do Brasil, vem crescendo a um ritmo mais lento e há o problema da Grécia, na zona do euro, o que também traz instabilidade econômica, observa Agostini.

Em 2015, com a expectativa de uma retração do PIB brasileiro entre 0,8% e 1,4%, a Austin estima que o Brasil se manterá entre as dez maiores economias do mundo, mas será ultrapassado pela Índia, caindo da sétima para a oitava posição, ficando à frente de Canadá (9ª) e Itália (10ª).

O economista Alex Agostini lembra que somente no primeiro bimestre de 2015 já houve corte de mais de 200 mil empregos com carteira assinada, segundo dados do Ministério do Trabalho, além da elevação da taxa de desemprego para 5,9% em fevereiro após encerrar 2014 com taxa de 4,3%, segundo o IBGE.

- Os investimentos no setor produtivo seguem em compasso de espera aguardando não apenas as definições das medidas de política econômica do governo, mas também pelo desfecho nas investigações da Petrobras, o que ainda traz incerteza se o Brasil terá mantida a sua classificação de grau de investimento – diz Agostini.

Veja o ranking das dez maiores economias do mundo em 2014
Crescimento em 2014
China 7,4% (US$ 10,4 trilhões)
Índia 7,2% (US$ 2,1 trilhões)
Estados Unidos 2,4% (US$ 17,4 trilhões)
Reino Unido 2,6% (US$ 2,7 trilhões)
Alemanha 1,6% (US$ 3,7 trilhões)
França 0,4% (US$ 2,8 trilhões)
Rússia 0,3% (US$ 1,8 trilhão)
BRASIL 0,1% (US$ 2,3 trilhões)
Japão zero (US$ 4,5 trilhões)
Itália -0,4% (US$ 2 trilhões)

As projeções para o PIB de 2015 (em trilhões de dólares)
Estados Unidos 18,3
China 11,3
Japão 4,21
Alemanha 3,2
Reino Unido 2,6
França 2,4
Índia 2,3
BRASIL 1,7
Canadá 1,6
Itália 1,4 (0,4%)
Elaboração Austin Asis
Fonte: Austin Rating